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12/03/2019

Doença Cardíaca Congênita: saiba quando é possível evitá-la

No Brasil, um em cada 100 nascidos vivos possui a chamada cardiopatia congênita, que é uma anormalidade na estrutura ou função do coração que pode surgir durante as primeiras oito semanas de gestação quando se forma o coração do bebê. Em números exatos, anualmente, nascem 23 mil bebês cardiopatas no país.

 

Segundo a cardiologista do Hospital Aliança, dra. Zilma Verçosa, existem alguns cuidados que as mães podem tomar para evitar a doença durante a gestação. “Existem causas genéticas que são difíceis de evitar como as síndromes cromossômicas (Edwards, Patau e síndrome de Down). Mas existem as causas externas, que são totalmente evitáveis, como o não uso de alguns medicamentos.”

 

De acordo com a especialista, a gestante deve evitar os ácidos retinoicos presentes em produtos estéticos e cremes dermatológicos, o uso da isotretinoína (conhecido como Roacutan), do lítio presente em medicações prescritas por psiquiatras e de alguns anticonvulsivantes. Outro vilão medicamentoso para a saúde cardíaca do bebê é o ibuprofeno, muito utilizado no combate à febre e outras dores. Segundo dra. Zilma, “a grávida não pode usar em momento nenhum o ibuprofeno porque a substância restringe o canal do feto, causando uma dilatação no ventrículo direito ou hipertensão arterial pulmonar grave ao nascimento”, alerta.

 

Além das restrições medicamentosas, a médica lembra que a rubéola também é um grave fator para a doença cardíaca do bebê. “Se a mãe contrair até os primeiros dois meses de gestação, ela pode ter um risco de quase 60% para cardiopatia congênita. Se for no terceiro mês, o risco cai para 30% e depois do terceiro, 10%”, alerta.

 

Primeiros sintomas
Se não houver um diagnóstico precedente, especialmente no pré-natal com o ecocardiograma fetal a partir da 18ª semana de gestação, com melhores imagens entre a 22ª e a 28ª semanas, e as mães perceberem que o bebê fica cansado às mamadas, tem baixo ganho de peso e apresenta cianose (coloração azulada no corpo), o indicado é sempre buscar uma ajuda especializada para a realização de todos os exames. Acompanhar todo o processo de desenvolvimento com o apoio médico é importante para uma vida saudável dos pequeninos.

 

Mito
Por outro lado, as mamães não precisam se desesperar em outro quesito referente ao coração dos bebês, como nos casos de sopro no coração. “O que é preciso esclarecer é que nem toda a criança com sopro tem uma cardiopatia. O sopro pode ser funcional ou fisiológico, ou seja, o barulho que a gente ouve no coração do bebê com o estetoscópio traduz apenas que o sangue dentro do coração está aumentado em algum lugar. A criança pode viver bem com esse sopro a vida inteira porque não afeta a estrutura do coração”, afirma a médica. O sopro, então, só é preocupante se tiver como causa alguma alteração na estrutura do coração do bebê.