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03/01/2012

É possível ser gordo e saudável?

Criada pela Organização Mundial de Saúde, a tabela do IMC é bastante conhecida principalmente entre aqueles que buscam controlar o peso corporal. Através de uma conta rápida, que relaciona o peso com a altura do individuo, o IMC determina se o indivíduo está saudável, pré-obeso ou obeso.

Estudos recentes, no entanto, tem questionado a eficácia da tabela para esse tipo de informação. Um deles foi publicado em janeiro pelo Journal of the American Medical Association (Jama). A partir de uma pesquisa com 100 voluntários, o artigo levanta a possibilidade de pacientes classificados na tabela como “Obesos em grau 1” terem menos risco de morte do que os pacientes classificados como “saudáveis”. Para o Dr. Osmário Salles, endocrinologista do Aliança, esse é o tipo de dado que não pode ser interpretado de maneira absoluta, pois envolve duas questões: “A grande maioria das pesquisas médicas sérias mostram que é mais saudável ser magro, pois claro, a gordura em excesso pode causar sérios danos ao organismo. Mas existe também um perfil do gordo que procura mais o médico, faz dietas mais sadias e pratica exercícios. Esse pode ser mais saudável do que um indivíduo magro e sedentário”, explica.

Para Dr. Osmário, a obesidade é uma doença típica da contemporaneidade, causada na maioria das vezes por um estilo de vida que associa consumo excessivo de alimentos hipercalóricos (tipo fast food, por exemplo) e a falta de exercícios físicos. Ser um adepto deste estilo nem sempre ocasiona uma aparência obesa, mas o risco à saúde é iminente. O combate a este mal, segundo Dr. Osmário, é mais simples do que se imagina. “O maior remédio na medicina se chama exercício. Com a prática de meia hora podemos evitar uma série de doenças que vem atreladas a estes hábitos, como a diabetes, hipertensão e até alguns tipos de câncer”.

Na opinião do médico, apesar dos estudos sugerirem uma interpretação diferente, a tabela do IMC ainda é o método mais seguro para avaliar a obesidade. Mas há outros sinais que podem indicar a presença da obesidade ou pelo menos alertar se há riscos para a saúde. Um deles é o formato do corpo. “No homem, gordura acumulada na região abdominal é um mau sinal para a saúde. Na mulher, o acúmulo de gordura na região abaixo da cintura também é um alerta”. Outro marcador importante é a esteatose hepática (gordura no fígado), cada vez mais frequente em pessoas acima dos 40 anos. Se não tratada, pode ocasionar doenças cardiovasculares e diabetes, entre outros problemas à saúde.

O outro extremo a tabela também inspira cuidados: índice de IMC abaixo de 22 também representa riscos à saúde. Se a pessoa for fumante, o risco é ainda maior. Mas segundo o médico, o risco apresentado pelos obesos é mais preocupante, pois eles tem aumentado em ritmo mais acelerado do que o de pessoas abaixo do peso. “Esta doença é um dos maiores desafios da medicina, porque depende muito mais da força de vontade da pessoa do que dos remédios. Por isso que a minha recomendação é mudar os hábitos o quanto antes”, alerta.