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03/01/2012

Falta de informação leva população a automedicação

Tomar um medicamento por conta própria, para sanar uma dor de cabeça ou nas costas por exemplo, é uma atitude bastante comum e aparentemente isenta de riscos. Se o indivíduo, então, nunca tiver sofrido uma complicação ou efeito colateral do remédio, provavelmente não verá mal algum em prescrever a própria dose. Mas o que muitos não sabem é que o mesmo potencial que o remédio tem para curar, ele tem para prejudicar o nosso organismo, podendo inclusive levar à morte.

Existem muitas situações que facilitam a automedicação, como a impossibilidade ou falta de condições para atendimento médico urgente e o apelo da indústria farmacêutica. Mas para Armando Ribeiro, Coordenador do Serviço de Farmácia do Aliança, a falta de conhecimento é o principal facilitador deste ato. “Existe um hábito cultural nosso que é de se automedicar ao invés de programar consultas clínicas periódicas, e isso faz com que as pessoas simplesmente ignorem que o remédio pode ter um efeito reverso, e que existe uma dosagem correta para cada caso”, afirma.

Em todo o mundo, registros apontam a automedicação como uma das principais causas dos internamentos por intoxicação. Armando afirma que os campeões nesses casos de intoxicação são os ansiolíticos, os antidepressivos, os analgésicos e os antinflamatórios. O farmacêutico alerta ainda para os grupos mais suscetíveis às intoxicações: Crianças até onze anos, mulheres grávidas, e idosos.

Além de sempre procurar uma opinião médica, é importante ler a bula do remédio. Em 2009, após uma nova resolução determinada pela ANVISA, o texto das bulas foi modificado, de modo a facilitar a interpretação das informações técnicas. “Este novo formato pode ajudar a inibir a automedicação, pois informa de maneira mais clara sobre a ação do medicamento e como deve ser utilizado”, opina Armando.

O alerta vai também para os medicamentos que tem venda livre, e que parecem bastante inofensivos como os Complexos Vitamínicos. O nosso organismo necessita em média de 60 mg de vitamina C, porém encontramos facilmente no mercado apresentações de até 2 gramas. O excesso é eliminado pelos rins, podendo contribuir para o aparecimento do cálculo renal, a famosa “pedra nos rins”.

Cuidado com a sua “farmacinha” – Quem costuma guardar em casa uma caixinha com remédios para emergência, ou guardar a sobra daqueles que foram prescritos, precisa ter um cuidado redobrado. A validade dos medicamentos, por exemplo, em forma líquida ou pasta/creme (como xarope, soluções, gotas, tubos de pomada) tem a sua validade reduzida para ¼ do tempo indicado na embalagem após abertos. Os comprimidos mantidos no blister – embalagem plástica que armazena individualmente o medicamento – podem ser consumidos até a expiração da data original.

É importante também manter esses medicamentos longe do alcance das crianças, e armazená-los em um local seco, areado. E quanto ao local de armazenamento, a sua farmacinha pode ser de plástico resistente ou madeira, mas dê preferência a um material que possa ser limpo sem dificuldade.