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17/03/2020

Tempo de Cuidar de si para cuidar do Outro

16.03.2020

 

A nossa espécie teve na racionalidade e na socialização a razão do sucesso. Há 200.000 anos entendemos a necessidade de proteção mútua. Há 10.000 criamos as primeiras vilas agrícolas, sedimentando a proteção do outro como estratégia de sobrevivência.

 

Desde então, apesar das guerras e das odiosas ações dominadoras, aprofundamos a compreensão de que modelo social sem cuidado coletivo e individual não traz segurança.

 

A recente epidemia da COVID-19 escancara a necessidade do ser humano cuidar do semelhante. Trata-se da principal estratégia de enfrentamento de uma epidemia que não escolherá vítimas por classe social ou outra variável.

 

Infelizmente, medidas chegaram tarde por equívocos no início da epidemia. Toda a ditadura é nefasta, e a Chinesa não fugiu à regra. Obrigou o médico que descreveu os primeiros casos a uma humilhante retratação pública. Ele morreu vítima da doença!

 

A situação na Itália foi um alerta para os países ocidentais e democráticos. Lá, a demora na adoção de medidas restritivas e educativas ecoou num sistema de saúde despreparado para a supra demanda.

 

Agora, chega ao Brasil que possui imensas lacunas na educação e saúde. Felizmente temos o SUS, se não tivéssemos, estaríamos repetindo o desastre da epidemia de Meningite em 1975, também conduzido desastrosamente pela ditadura militar no mesmo modelo do atual governo chinês.

 

O SUS facilita o acesso e oferece uma estrutura relativamente organizada, todavia, se tivermos uma grande demanda hospitalar, não daremos conta. O pânico será nosso inimigo tanto quanto a minimização dos riscos desta epidemia.

 

Neste momento, nada impactará mais do que as medidas restritivas. Evitar aglomerações, proibir manifestações, reduzir exposição fora do domicílio e cobrar das autoridades a responsabilidade que se espera diante das pertinentes medidas do Ministério da Saúde.

 

Enquanto o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais fazem a sua parte, cada brasileiro tem o compromisso de cuidar do outro e isso se faz cuidando de si mesmo. Lavar as mãos com água e sabão com frequência, usar álcool gel, sobretudo se manusear materiais e equipamentos compartilhados ou antes de entrar e depois que sair do transporte coletivo. Também evitar levar as mãos à boca, olho e nariz e confiar nos médicos. Fazer exames sem a indicação nos levará ao desabastecimento de ferramentas diagnósticas preciosas. Será uma atitude egoísta e perdulária.

 

O compromisso dos médicos com a população é absoluto. Eles não abandonarão vocês. Enquanto o Ministério da Saúde e as Secretarias cuidam da saúde coletiva, os profissionais de saúde estarão cuidando de vocês, mas nada disso importará se o autocuidado não se transformar em ferramenta de cuidado do outro.

 

 

Raymundo Paraná

(Superintendente Médico Hospital Aliança)