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03/01/2012

Xixi na cama: estudo aponta novo tratamento para o problema

A incontinência urinária infantil, mais conhecida como “xixi na cama” é um problema que pode afetar 10% das crianças com idade de 07 anos, 5% das crianças de 10 anos e ainda 1%, de adolescentes com 15 anos. Ou seja, é mais comum do que pensamos. Na opinião do urologista pediátrico, Dr. Ubirajara Barroso Jr., os pais devem ficar atentos a esse problema, que tem o nome técnico de enurese noturna. Além de alterações psicológicas importantes, o sintoma pode estar  associado à infecção urinária, refluxo vésico-ureteral e lesão renal.

Médico do corpo clínico aberto do Hospital Aliança há 10 anos, o especialista recebeu recentemente uma premiação no Congresso Americano de Urologia, realizado em San Diego, na Califórnia, por sua inovação no tratamento realizado através de eletro estimulação ou neuromodulação.  “O nosso método é embasado na interface do diálogo entre o cérebro e o trato urinário. Através de neurotransmissores, provoca-se uma reorganização cortical, onde neurônios passam a cumprir uma nova função”, explicou o urologista.

Na prática, o aparelho funciona como um sensor. Quando poucas gotas de urina entram em contato com o tecido da roupa íntima, o esfíncter da uretra recebe o estímulo, contrai-se,  a criança é acordada e condicionada a ir ao banheiro, sem haver perda de urina na cama.

Atualmente a enurese noturna pode ser tratada  através de medicamentos  prescritos em doses diárias. O tratamento dura de 04 a 06 meses, mas o sucesso, de acordo com a literatura médica, alcança apenas de 30 a 50% dos pacientes.

Além do tratamento medicamentoso, há também o sensor de umidade, aparelho que emite um som que pode acordar as crianças ou os pais. O problema é que nem sempre a criança é acordada, o que desmotiva o paciente, já que persiste urinando na cama por semanas.

A neuromodulação proposta por Dr. Ubirajara foi utilizada em nove pacientes. Sete brasileiros e dois belgas, através da Universidade de GHENT, na Bélgica. Desses, oito ficaram completamente curados com um período muito curto (15 dias a 2 meses) de tratamento.  O método foi patenteado, o aparelho já começou a ser produzido para testes e o pesquisador partirá agora para a segunda fase dos estudos, já aprovada pelo CNPq. Durante um ano, 50 crianças usarão o novo aparelho para testar a eficácia do novo método.


Dicas de especialista

De acordo com Dr. Ubirajara Barroso, as crianças que sofrem de enurese noturna geralmente têm baixa auto-estima e apresentam retração social. Um programa divertido e que proporciona grande vínculo social como dormir na casa do coleguinha, é praticamente proibido para esses pacientes.

Medidas educativas podem minimizar a frequência da enurese noturna. “Não beber líquido após o jantar, fazer xixi antes de ir para cama e evitar o sal nas refeições da noite podem ajudar, mas caso o diagnóstico indique tratamento, essas serão apenas medidas paliativas,” ressaltou o médico.